Miguel, o Sírio
| Miguel, o Sírio | |||||
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| Nascimento | 1126 Battalgazi ilçesi | ||||
| Morte | 14 de novembro de 1199 Mosteiro Mor Bar Sauma | ||||
| Ocupação | historiador, ministro, Patriarca | ||||
| Cargo(s) | Syriac Patriarch of Antioch (1166–1199)
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| Obras destacadas | Chronicle | ||||
| Religião | Igreja Ortodoxa Síria | ||||
Miguel, o Sírio, também conhecido como Miguel, o Grande (em siríaco: ܡܝܟܐܝܠ ܪܒܐ; 1126 – 7 de novembro de 1199), foi Patriarca Ortodoxo Siríaco de Antioquia de 1166 até sua morte em 1199. Ele é amplamente considerado uma das figuras mais importantes na história da Igreja Ortodoxa Siríaca, lembrado tanto como santo quanto como historiador.
Oriundo da distinta família Qindisi de Melitene, ascendeu rapidamente nas fileiras até se tornar Patriarca de Antioquia. Seu mandato como patriarca no Mosteiro de Mor Hananyo envolveu manter boas relações políticas e ecumênicas com os Cruzados, expressar desdém pelos Bizantinos e proteger seu rebanho das incursões árabes e turcomanas, enquanto navegava por diversas políticas eclesiásticas, incluindo um cisma no patriarcado provocado por Teodoro bar Uabune.
Sua monumental Crônica é a maior obra histórica sobrevivente da Literatura siríaca, cobrindo a história mundial desde a Criação até seus próprios dias. A crônica, principalmente preservada em um manuscrito de Edessa como cópia de uma cópia, registra assuntos eclesiásticos, fenômenos naturais, história secular e outros temas pertinentes. Estudiosos modernos a chamam de "sem dúvida a maior de todas as crônicas siríacas" e uma pedra angular da historiografia medieval, além de dezenas de outras obras de Miguel que catalisaram a era da "Renascença Siríaca".
Miguel, descrito como "um dos maiores pontífices [...] o melhor dos Patriarcas [...] de nome eterno, de busca graciosa e de qualidades incomuns", é altamente venerado na Comunhão Ortodoxa Oriental e seu dia de festa na Igreja Ortodoxa Siríaca é em 7 de novembro, a data de seu falecimento.
Vida
[editar | editar código]A vida de Miguel é registrada por Bar Hebraeus. Miguel nasceu em Melitene (atual Malatya, Turquia) em uma família sacerdotal Ortodoxa Siríaca em 1126. Seu pai, o Reverendo Eliya al-Qindasi (Elias Qîndîsî), era sacerdote, e seu tio Atanásio Zakkai (ou Zakka) era monge que mais tarde se tornou bispo de Anazarbus na Cilícia em 1136. Ele pertencia, assim, à distinta família Qindasi.[1][2] Na época de seu nascimento, Melitene fazia parte da dinastia turcomana Danishmend, e após sua divisão em 1142, tornou-se capital de um principado. Em 1178, a cidade passou ao controle do Sultanato de Rum.
Na juventude, Miguel ingressou no Mosteiro de Mar Barsauma perto de Melitene, que servia como sede patriarcal da Igreja Ortodoxa Siríaca desde o século XI. Após concluir seus estudos teológicos, foi ordenado monge. Antes de completar trinta anos, foi nomeado arquimandrita (abade) do mosteiro, cargo que ocupou por quase uma década. Durante esse período, Miguel ampliou a biblioteca do mosteiro, acrescentou novos edifícios e reconstruiu o sistema de abastecimento de água, garantindo que pudesse acomodar os milhares de peregrinos que se reuniam anualmente para a festa de São Barsauma.[2] Também tomou medidas para melhorar as defesas do mosteiro contra bandidos saqueadores.[3]
Miguel logo ganhou reputação como historiador e teólogo. Em 1165, o Patriarca Atanásio VII (1139–1166) procurou ordená-lo bispo de Amid (atual Diyarbakir), mas Miguel recusou para se dedicar aos estudos. Após a morte do patriarca em 1166, o Santo Sínodo se reuniu em Dayr Fesqin (ou Peshqîn) perto de Melitene para eleger seu sucessor. Após muito debate, Miguel foi proposto como um dos três candidatos. Embora inicialmente relutante, aceitou com a condição de que o sínodo concordasse em aplicar certos cânones destinados a fortalecer a igreja em seu momento de turbulência. Dionísios Jacó bar Salibi, bispo de Marash e Mabbug, pregou em seu favor, e Miguel foi eleito por unanimidade e consagrado Patriarca de Antioquia em 18 de outubro de 1166, na presença de 28 bispos.[4]
Patriarcado
[editar | editar código]Miguel foi o primeiro patriarca ortodoxo siríaco a atuar dentro da própria cidade de Antioquia desde a expulsão de Severo de Antioquia por Justiniano no século VI, e consagrou vários bispos ali.[5] Ele estabeleceu sua residência patriarcal principal no Mosteiro de Deiruelzafarã em Mardim, enquanto também passava tempo significativo no Mar Barsauma.[6] Imediatamente após sua eleição, entrou em contato com Papa João I de Alexandria (Yohanna ibn Abi Ghalib), mantendo os laços tradicionais entre os patriarcados siríaco e copta. Miguel também viajou extensivamente pelo Levante. Em 1168 fez uma peregrinação a Jerusalém, hospedando-se no Mosteiro de Maria Madalena perto do Portão de Damasco (Bāb al-'Amūd), e subsequentemente residiu por um ano em Antioquia, que estava sob domínio cruzado. Em Antioquia e Jerusalém, foi recebido com grande respeito pelos patriarcas latinos e pela nobreza, cultivando relações cordiais com figuras como Amaury de Nesle, o patriarca latino de Jerusalém.[7][8]
Miguel foi convidado em 1178 a participar do Terceiro Concílio de Latrão em Roma pelo Papa Alexandre III, mas recusou, embora tenha enviado um tratado teológico em seu lugar.[9] Ele igualmente recusou as investidas do Imperador Bizantino Manuel I Comneno, que tentou negociar a união eclesiástica. Em três ocasiões (1170, 1172 e depois), Miguel recusou viajar para Constantinopla ou encontrar enviados imperiais, enviando representantes e respondendo com claras afirmações da fé Miafisita ortodoxa siríaca.[10]
Como patriarca, Miguel nomeou vinte e cinco bispos, reformou práticas clericais laxistas e combateu a simonia. Suas reformas provocaram oposição, e ele enfrentou várias rebeliões de bispos e clérigos. Em 1171 e novamente em 1176, monges de Mar Barsauma se rebelaram contra ele. Em 1174, depôs Iuana Alcaluniqui, bispo de Mardim, que retaliou agitando o emir de Mosul e governante de Mardim contra Miguel. Outra oposição veio de Bar Masi e culminou na consagração de Teodoro bar Uabune como antipatriarca na Cilícia por volta de 1180. Apoiado por clérigos descontentes, pelo rei armênio, pelo católico da Armênia e até mesmo às vezes pelos Cruzados — todos os quais reivindicavam jurisdição sobre os siríacos da Cilícia — Teodoro apelou em vão a Saladino por reconhecimento. Miguel o excomungou, e após sua fuga do cativeiro em Mar Barsauma, Teodoro buscou refúgio com o católico armênio Gregório IV e o Príncipe Leão II da Armênia Cilícia, que oficialmente o reconheceram. O cisma persistiu por 13 anos até a morte de Teodoro em 1193, quando o sínodo ortodoxo siríaco reafirmou lealdade a Miguel.[11][12][5]
Apesar desses desafios, Miguel manteve amplo prestígio. Cultivou relações diplomáticas com governantes muçulmanos e cristãos igualmente, incluindo o Sultão Quilije Arslã II de Rum, com quem se encontrou cordialmente em Melitene em 1182. Apoiou Papa Marcos III de Alexandria na excomunhão de Marco ibne Cumbar durante a controvérsia egípcia sobre a confissão.[13] Em sua Crônica, Miguel lamentou o sofrimento dos Cristãos do Oriente Médio sob ocupação latina, particularmente em Jerusalém.[9]
No final de sua vida, em meio às controvérsias com Teodoro e aos fardos do cargo, Miguel tentou renunciar em 1193, mas o sínodo recusou sua abdicação.[11] Ele continuou seu patriarcado até sua morte em 7 de novembro de 1199 no Mosteiro de Mar Barsauma, aos 72 anos, tendo servido 33 anos como patriarca, e foi sepultado em um túmulo que havia construído antecipadamente, localizado ao norte do altar da igreja do mosteiro.[14] Durante seu patriarcado, Miguel ordenou um Mafriano e 54 bispos.[8] Seu sucessor foi Atanásio IX (1199–1207), também abade de Mar Barsauma; um pretendente rival, Miguel II, o Jovem, contestou-o e mais tarde tornou-se antipatriarca em vez de Atanásio e depois João XIV.[15]
Crônica
[editar | editar código]Composição e estrutura
[editar | editar código]Miguel é mais conhecido pela crônica universal que compôs, a mais longa e rica crônica sobrevivente em Língua siríaca.[16] A Crônica é a obra histórica mais extensa da Literatura siríaca já escrita, compreendendo 21 livros desde a Criação do mundo até sua época em 1194.[17] Foi composta em um formato único de três colunas: a primeira coluna para história secular e política, a segunda para assuntos eclesiásticos, e a terceira para fenômenos naturais como terremotos, nuvens de gafanhotos e eventos celestes.[18][19] Entre os capítulos, Miguel inseriu tabelas cronológicas que sincronizavam diferentes sistemas de datação — a era selêucida, a Natividade, as Olimpíadas e a Hégira (usada exclusivamente em referência aos califas muçulmanos). Um pequeno erro de cálculo no alinhamento das datas selêucidas e da Natividade percorre toda a obra.[3] Este método baseou-se nas tabelas de Eusébio de Cesareia, foi expandido por Jacó de Edessa e posteriormente desenvolvido pelo próprio Miguel.[20]
Esse novo formato de colunas separadas delineando diferentes seções históricas foi usado anteriormente por hierarcas ortodoxos siríacos como João de Éfeso, Jacó de Edessa e Dionísio I de Tel Mare, e posteriormente por Bar Hebreu. Era reservado a hierarcas seniores, o que enfatizava a importante missão que o acompanhava.[20]
Miguel ocasionalmente dedicava todas as três colunas a um único assunto quando era necessário maior detalhe.[21] Após a crônica terminar abruptamente, seguem-se seis apêndices. O primeiro apêndice resume os reis e patriarcas citados no texto. O segundo apêndice é um tratado sobre a identidade histórica dos siríacos, associando-os aos antigos impérios do Oriente Próximo, que são os assírios, Babilônios e Arameus. Quando a crônica foi traduzida para o armênio duas vezes, em 1246 e 1247, alguns aspectos foram alterados para acomodar interesses armênios.[22]
Manuscritos e traduções
[editar | editar código]O autógrafo da Crônica de Miguel, o Grande, está perdido. O que sobrevive é uma cópia muito posterior de uma cópia: foi transcrita em 1598 pelo Bispo Miguel de Urbish, quatro séculos após a morte do autor[18] e baseava-se em uma cópia anterior produzida por Moisés de Mardim.[23] O escriba preservou o estilo de Miguel, corrigindo erros nas margens — às vezes com observações como "Isto foi no ano de 1909 dos pérfidos e corruptos gregos," ecoando a própria hostilidade de Miguel em relação às perseguições bizantinas contra os jacobitas.[24] O códice sobrevivente, escrito em elegante caligrafia em aproximadamente 800 fólios grandes, foi preservado na biblioteca de Edessa, embora 19 fólios estejam faltando.[25] Este manuscrito de Edessa permaneceu em Urfa até 1924, quando a população cristã da cidade foi expulsa após o Sayfo; foi então transferido para a igreja ortodoxa siríaca de São Jorge em Alepo. A Hill Museum and Manuscript Library o digitalizou em 2008.[26]
Tradição manuscrita siríaca
[editar | editar código]A cópia de Urbish de 1598 permanece como a única testemunha siríaca existente do texto, escrita em escrita Serto,[24] embora existam outras transcrições baseadas nela. O manuscrito foi descoberto em Edessa e subsequentemente copiado para estudiosos modernos. Uma dessas cópias foi feita para o Patriarca católico siríaco Inácio Efrom Rahmani em 1887, e outra para o orientalista francês Jean-Baptiste Chabot em 1899 (um fac-símile digital está disponível na Sala de Leitura vHMML). O Vorlage para essas cópias posteriores está preservado hoje pela comunidade de Edessa em Alepo. O texto apresenta lacunas, correspondendo exatamente às lacunas nas versões árabes feitas a partir dele. Apesar desses defeitos, o códice de 1598 é considerado a melhor testemunha sobrevivente do layout e apresentação originais da Crônica.[5][27]
Traduções armênias
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Uma tradução armênia abreviada foi produzida em 1248 pelo sacerdote assírio Yeshu' (Ishoʿ) ibn Shammas Yaʿqub al‑Tume al‑Sharqi, natural de Hisne Quifa, a pedido do católico Constantino I da Cilícia. A obra não foi uma tradução literal, mas uma adaptação condensada, frequentemente alterando o material consideravelmente. Foi posteriormente revisada pelo monge armênio Vardanes. Duas edições de Jerusalém apareceram em 1870 e 1871, sendo a última considerada mais confiável.[28][25][29]
Esta versão armênia foi a primeira forma da Crônica de Miguel a chegar à Europa. Serviu de base para a tradução francesa publicada em 1868 por Victor Langlois, que erroneamente assumiu que era uma tradução completa do original siríaco.[29]
Traduções árabes/Garshuni
[editar | editar código]A Crônica também foi traduzida para o Garshuni (árabe em escrita siríaca) por João Shuqayr (Hanna al-Sadadi), metropolita de Damasco, em 1759. Pelo menos cinco manuscritos desta tradução sobrevivem.[17][25] No entanto, como Shuqayr trabalhou diretamente a partir da cópia de Urbish de 1598, a versão árabe preserva as mesmas lacunas que o Vorlage siríaco.[30][5]
Outras traduções árabes existem, incluindo uma tradução mais recente fornecida pelo falecido Arcebispo Saliba Shamoun (1932–2025) e editada por Gregorios Yohanna Ibrahim.[31]
Estudos e edições ocidentais
[editar | editar código]O conhecimento da Crônica de Miguel na Europa começou apenas no século XVIII, e mesmo assim foi amplamente ignorado — José Assemani não a referenciou apesar de seu acesso a fontes siríacas. A adaptação armênia inicialmente enganou os estudiosos, pois se pensava que representava uma tradução fiel. O estudo sério começou apenas em meados do século XIX, quando manuscritos do texto armênio chegaram à Europa.[32]
Em 1899–1910, J. B. Chabot publicou uma tradução francesa em quatro volumes (Chronique de Michel le Syrien, Patriarche Jacobite d'Antioche, 1166–1199), baseada no manuscrito siríaco em Edessa. Seu trabalho incluiu uma edição em fac-símile do texto siríaco preparada entre 1897 e 1899 em Alepo, embora alguns erros de escriba tenham sido introduzidos no processo de cópia.[17][5]
Em 2014, Matti Moosa publicou a primeira tradução completa para o inglês da Crônica, intitulada The Syriac Chronicle of Michael Rabo (the Great).
Conteúdo e temas
[editar | editar código]Assuntos seculares e políticos
[editar | editar código]A primeira coluna da Crônica registra guerras e conflitos entre árabes (que Miguel sempre chama de Ṭāyyōyê,[1] em referência aos taiítas), turcos, bizantinos, latinos (cruzados) e armênios.
Miguel dedicou atenção particular aos Cruzados. Ele dedicou longas passagens aos Cavaleiros Templários, elogiando seu ascetismo, obediência, fraternidade e generosidade no socorro à fome. Embora as divisões teológicas permanecessem, ele considerava os latinos aliados mais favoráveis do que os gregos, que perseguiam consistentemente os Ortodoxos Siríacos (ver Cesaropapismo).[33]
Miguel descreve os cercos devastadores de Edessa no século XII, cuja população sofreu mais nas mãos de sucessivos invasores. Apanhada entre francos, gregos, turcos, árabes e seus conflitos internos, Edessa foi sitiada repetidamente, cada vez produzindo severa perseguição aos seus cidadãos indefesos: morte, tortura, prisão, humilhação, fome, escravidão e estupro. Muitas estruturas foram desmontadas para material de construção ou reaproveitadas — por exemplo, a Igreja de São Tomé foi usada como estábulo. Miguel atribui grande culpa aos francos, a quem às vezes preferia aos turcos ou gregos, que rotineiramente saqueavam a cidade e subjugavam sua população nativa miafisita; mesmo quando sua vitória era esperada durante a ocupação turca, ele os chama de "tolos sem cérebro" por saquearem lojas e casas em vez de atacarem os soldados turcos na cidadela, o que contribuiu para sua derrota. Após este desastre, Edessa caiu em declínio moral e espiritual, com os cristãos reduzidos a uma minoria à medida que as mesquitas se multiplicavam.[34]
Após o desastre de 1146, a cidade declinou moralmente e seus habitantes nativos siríacos foram espiritualmente quebrados. Os cristãos tornaram-se minoria enquanto a população muçulmana crescia e mais mesquitas eram construídas. Edessa foi posteriormente absorvida pelos Aiúbidas, pelas conquistas mongóis dos tártaros e Hulaguídas, e finalmente pelo Império Otomano, e sua população cristã foi largamente eliminada durante as perseguições que culminaram no início do século XX. Em 1908, os cristãos constituíam apenas cerca de 19% da população; na véspera do êxodo em massa de 1924, os ortodoxos siríacos somavam aproximadamente 2 500. Não há cristãos restantes em Xanleurfa hoje.[34]
Assuntos eclesiásticos
[editar | editar código]A segunda coluna concentra-se na igreja, particularmente em assuntos eclesiásticos, que compõem uma grande seção — isso se deveu ao fato de que, na época, a Igreja Ortodoxa Siríaca se estendia pelo Levante, Mesopotâmia, Arábia, Irã, Índia e China, e era governada por facções mutuamente antagônicas. Aqui, Miguel registrou relações com comunidades vizinhas. Ele censurou os "sinoditas" (calcedônios/bizantinos) por suas perseguições, alegando que dedicavam mais energia a oprimir o povo siríaco do que a resistir aos turcos. Em contraste, as relações com a Igreja Copta eram calorosas, e correspondência regular entre patriarcas era relatada.[35]
A teologia de Miguel retrata o cristianismo como independente de território ou poder temporal. Como cronistas siríacos anteriores, é feita uma comparação com as crenças mesopotâmicas antigas, onde ele interpreta sucessos e fracassos na história como sinais de favor divino ou abandono.[36][37]
Fenômenos naturais
[editar | editar código]A terceira coluna registra eventos naturais: terremotos em Antioquia, Damasco e Constantinopla; gafanhotos; e cometas, que Miguel chamava de kawkbō šūšīnō ("estrela encaracolada"), preservando a terminologia siríaca em vez de empréstimos gregos. Ele repreende os astrólogos por suas tentativas de prever eventos, incluindo ocasiões em que falharam, afirmando em vez disso que os desastres vinham do julgamento divino, não da influência planetária.[36]
O domínio do siríaco por Miguel é notado como avançado e tradicional, embora ele também lesse e falasse árabe, e elogiasse outros bispos por seu conhecimento. Sua Crônica inclui arabismos ocasionais no dialeto coloquial, bem como empréstimos sirianizados do grego, armênio e Latim.[38]
Historiografia e fontes
[editar | editar código]Embora raramente mencione fontes para alguns períodos — provavelmente recorrendo à memória e tradições orais — ele nomeia algumas: 1. Jacó de Edessa, principal fonte de Miguel para o período anterior ao século VII; 2. Dionísio I de Tel Mare, cuja crônica não sobrevive mais; 3. Basílio Bar‑Shumono, que Miguel citou sobre a história inicial de Edessa; 4. Dionísio bar Salibi, a quem Miguel chamou de escritor excepcional; 5. O Patriarca João bar Shushan, que Miguel não cita diretamente, mas relata sua obra; 6. José, o Monge, que Miguel citou para a invasão de Mileto em 1050 d.C.; 7. Inácio, bispo de Melitene, que Miguel cita extensivamente a respeito da fé ortodoxa siríaca perante o patriarca calcedônio de Constantinopla; e 8. Evenaius de Keshum, a quem Miguel refuta por afirmar que a tentação atinge os justos sem a vontade de Deus, minando assim a providência divina. Ele também citou obras perdidas, como a Crônica de Azakh, cartas, atos sinodais e biografias locais. Historiadores gregos, panfletos eclesiásticos e fontes árabes não nomeadas também foram usados.[39][40][37]
Miguel inseriu livremente paralelos bíblicos em sua narrativa histórica, uma tendência que os estudiosos chamam de "presentismo". Ele comparou os Ortodoxos Siríacos aos Israelitas, os Nestorianos a Judas e os Seljúcidas a Jezabel. Os turcos foram retratados como Gogue e Magogue, enquanto Quilije Arslã, Sultão de Icônio, foi visto como cumprindo a profecia em Jeremias 17:5. Portentos bíblicos foram ligados a terremotos, eclipses ou cometas, lidos como advertências divinas que precediam invasões.[41]

Miguel tenta consolar os fiéis recorrendo a eventos bíblicos do Antigo Testamento. Os eventos do Concílio de Calcedônia são comparados aos eventos de Êxodo 32, e aos três que permaneceram fiéis na Pérsia quando todos os cativos de Judá adoraram a estátua; Miguel aplica isso à multidão em Calcedônia, chamando-a de sínodo dos apóstatas. Ele também cita "aquele que faz a vontade [de Deus] é melhor que mil" (Ecl. 16:3). Uma ênfase recorrente é que os salvos são sempre uma minoria, e que o tamanho ou prestígio da Igreja não importa, desde que ela sustente a doutrina verdadeira.[42]
Sua perspectiva histórica enfatizava que o castigo segue o pecado, mas as calamidades podem ser aliviadas pelo arrependimento. Ele citou a peste de 745, que diminuiu apenas quando o califa árabe Marwan II se arrependeu.[43]
A visão geral que se desenvolveu na historiografia siríaca é que os desastres são causados pelo pecado e são enviados para punir o pecado e ensinar as pessoas a não pecar, mas que os desastres também podem ser aliviados ou evitados pelo arrependimento e eventualmente pela intervenção da Igreja e suas relíquias. Isso incluía a crença de que Deus envia sinais de advertência de desastres iminentes para aqueles que têm a sensibilidade de entendê-los. Desde o cisma causado pelo Concílio de Calcedônia, Deus enviou portentos envolvendo o sol, terremotos e sinais lacrimosos no céu que foram tomados como indicação da maldade dos hereges e do que viria sobre a terra. Mas as advertências não foram atendidas, então Deus enviou os bárbaros.[44]
Miguel refere-se a numerosos exemplos em que fenômenos estranhos foram tomados como mensagens divinas. Em meados do século V, a queda de três pedras do céu foi considerada por muitos como um sinal de corrupção nas igrejas, o deslocamento da fé ortodoxa e o avanço da doutrina Diofisita, enquanto uma escuridão semelhante a um eclipse observada na consagração de Marciano foi significada como um sinal marcando seu reinado de cegueira espiritual e tumulto. Quando Justino I iniciou seu reinado, um cometa flamejante em forma de lança apontando para baixo foi interpretado como um sinal de apostasia e destruição da Igreja. Quando um fogo semelhante em forma de espada se estendeu pelo céu de sul a norte por trinta dias em 634, muitos o tomaram como um sinal do avanço dos árabes. Mais tarde, em 745, três pilares de fogo foram testemunhados por contemporâneos nos céus, e no ano seguinte, poeira pesada escureceu o céu por semanas, juntamente com meteoros em janeiro e uma chama elevando-se na mesma direção. Todos esses sinais foram vistos como presságios de guerra, derramamento de sangue, desastres e castigo divino.[45]

Ele criticou governantes bizantinos como Heráclio por mutilar dissidentes ortodoxos siríacos. Heráclio ordenou o corte de narizes e orelhas e o saque de casas para qualquer um que não apoiasse o Concílio de Calcedônia. Essa perseguição persistiu por um longo período, e muitos monges — particularmente os de Beit Maron, Mabbugh, Hims e das regiões do sul — apoiaram o concílio e tomaram o controle de numerosas igrejas e mosteiros.[46] Miguel relata que os cristãos são inadequados para governar outros cristãos, e apesar da perseguição nas regiões sassânidas, ele a considerava preferível ao domínio romano, que ele retrata como tendo a intenção de destruir tanto a Igreja Ortodoxa Siríaca quanto a Igreja do Oriente, massacrando continuamente os Cristãos siríacos. Ele ainda afirma que as conquistas islâmicas funcionaram simultaneamente como punição para os calcedônios e como resgate providencial para os Miafisitas, que, segundo ele argumenta, não teriam sobrevivido sem elas — apesar das severas dificuldades que a igreja posteriormente sofreu sob o domínio muçulmano.[47] Miguel também relata que o bispo ortodoxo Epifânio fugiu da Conquista árabe da Síria apenas para ser morto como mártir pelo general romano Gregório na Cilícia.[48] Ele acrescenta que quando os romanos se retiraram da Síria, roubaram, saquearam e devastaram o país mais do que os árabes, tratando-o como se pertencesse a um inimigo. Miguel então observa: "se os árabes não cumpriram suas promessas, os romanos também não — e não apenas em relação aos árabes, mas entre si."[49]
Identidade e geografia
[editar | editar código]A Crônica de Miguel articula identidades confessionais e étnicas. Acima de tudo, ele definiu os mhaymne ("fiéis"), significando os crentes ortodoxos siríacos — fossem siríacos ou árabes falantes (em Moçul e Ticrite) — como seu povo, além dos Coptas, Armênios e outros que pertenciam à mesma fé Miafisita/Não calcedônia que ele.[50]
No entanto, devido às circunstâncias geopolíticas de sua época, ele sentiu necessidade de definir seu povo e fé em termos mais nacionalistas e seculares; consequentemente, ele consistentemente os conectou aos antigos impérios da Assíria e Babilônia, identificando seus reis como seus próprios ancestrais. Ele usou nomes como "Assíria" (Ātōr), "Nínive" e "Babilônia" para regiões da Mesopotâmia, explicitamente como terras ancestrais e não meras alusões bíblicas.[51][52]
Os Melquitas (siríacos de língua aramaica que seguiram o Concílio de Calcedônia após a repressão imperial) foram rotulados pejorativamente de "gregos" em vez de siríacos.[53] Tanto críticos bizantinos quanto muçulmanos zombavam dos cristãos siríacos por "nunca produzirem reinos", ao que Miguel contra-argumentava citando a Assíria e a Babilônia como seus ancestrais soberanos.[54][20]
Atribuído a Jacó de Edessa (m. 708), transmitido via Dionísio I de Tel Mare (m. 945) e posteriormente adotado por Miguel, o relato siríaco reformula a história antiga para reivindicar poderosos reinos "sírios" a leste e oeste do Eufrates. Miguel enfatizou o significado histórico dos reinos "sírios" que existiram em ambos os lados do Eufrates, usando essa narrativa para afirmar a soberania histórica de seu povo, apesar de não terem reis contemporâneos. Ele retratou os Selêucidas como reis siríacos locais, vendo-os como restauradores da realeza nativa após a conquista de Alexandre, o Grande. Apesar de Alexandre ser grego, ele foi considerado nativo, contribuindo para uma identidade siríaca híbrida caracterizada pela língua aramaica e influências culturais gregas.[55] Miguel harmoniza vários argumentos ligando a história siríaca às histórias arameia e assíria,[56] citando-os como antepassados da tradição siríaca devido à sua língua aramaica compartilhada.[57]
Significância
[editar | editar código]Até a redescoberta da Crônica, Miguel, o Grande, era principalmente conhecido no Ocidente como autor de escritos canônicos e litúrgicos. A publicação de sua história universal mudou drasticamente a apreciação acadêmica de sua importância. Sua obra se estende da Criação até seus próprios dias (final do século XII) e é baseada em uma ampla variedade de fontes, muitas das quais agora perdidas.[17]
Estas incluem crônicas siríacas como as de Jacó de Edessa, João de Litharb, Dionísio I de Tel Mare, bem como autores siríacos não ortodoxos como Elias de Nísibis e Teófilo de Edessa. Miguel também cita crônicas locais, registros de concílios, biografias, panfletos teológicos e historiadores gregos, além de cartas e relatórios oficiais. Ele recorreu fortemente a João da Ásia para o período do Imperador Tibério III.[58]
Estudiosos medievais e modernos saudaram a obra de Miguel como "sem dúvida a maior de todas as crônicas siríacas".[59] Ela preserva trechos inestimáveis de historiadores siríacos de outra forma perdidos, incluindo Dionísio I de Tel Mare. Os estudiosos enfatizam que o método historiográfico de Miguel era consistente com a prática medieval, mas enraizado na forte tradição da escrita histórica siríaca cristã, que moldou a historiografia da Igreja Ortodoxa Siríaca, culminando em Bar Hebreu (1226–1286), que recorreu extensivamente a Miguel.[53]
Embora Moisés de Mardim tenha colaborado com estudiosos europeus no século XVI, a própria Crônica permaneceu desconhecida na Europa até que a versão armênia circulou no século XIX. José Assemani ignorou-a, e foi somente através da edição de Chabot que ela entrou nos estudos orientais mainstream.[32] Hoje, a Crônica continua sendo uma fonte central para a história de Bizâncio, do Islã, das Cruzadas e do Oriente Próximo medieval, além de seu papel na preservação da identidade siríaca.
À medida que Miguel começou a escrever mais pessoalmente nas partes finais de sua Crônica, compaixão e sensibilidade tornaram-se visíveis: tristeza pela morte por violência e guerra e simpatia por seres vivos em sofrimento eram elementos prevalentes em seus escritos posteriores.[60]
Outras obras
[editar | editar código]Embora mais lembrado por sua monumental Crônica, Miguel, o Grande, foi também um ativo teólogo, liturgista e legislador eclesiástico. Seus escritos sobreviventes e atribuídos demonstram a amplitude de sua atividade intelectual, pastoral e histórica dentro da Igreja Ortodoxa Siríaca.[61][62]
Liturgia e cânones
[editar | editar código]- Anáfora — preservada em vários manuscritos (seis em coleções europeias), incluindo uma coleção de orações organizadas alfabeticamente
- Liturgia em 16 páginas — organizada de acordo com o alfabeto, começando com a invocação: "Deus Todo-Poderoso e Senhor de todos, fazei-nos dignos de nos aproximarmos deste grande mistério divino"
- Estrutura definitiva do pontificado e seus rituais — uma revisão da hierarquia eclesiástica e dos rituais (parcialmente editada em séculos posteriores)
- Cânones — uma coleção de vinte e nove cânones promulgados no Mosteiro de Mar Hananya em 1166, seguidos por mais doze em 1174; vários foram citados por Bar Hebreu em seu Nomocanon
- Sedra e Busqyos — incluindo dois busqyos (hinos litúrgicos), um dedicado a São Barsauma, ambos os quais entraram na liturgia da Igreja Ortodoxa Siríaca
Homilias, poesia e encômios
[editar | editar código]- Homilias — uma grande coleção para domingos e festas da igreja; o Cronista de Edessa observa que Miguel transcreveu com sua própria mão um enorme volume de homilias existentes e acrescentou suas próprias composições
- Homilias Métricas — duas em verso, uma sobre João de Mardim e outra sobre Barsouma
- Poemas e Odes:
- Uma ode heptassilábica (1159) sobre uma jovem martirizada por sua fé em Tal'afar
- Uma ode dodecassilábica (1167) elogiando João, Metropolita de Mardim (falecido em 1165)
- Outra ode dodecassilábica em louvor a São Barsauma, parcialmente preservada (28 páginas existentes)
- Poemas curtos, incluindo um sobre o bispo de Mardim
- Encômios — incluindo um dedicado a Dionísio bar Salibi
Teologia e polêmicas
[editar | editar código]- Confissão de Fé — composta em Antioquia e endereçada ao imperador Manuel I Comneno em 1169
- Argumentos contra os Albigenses (Albigeois) — escritos em Antioquia e enviados a Manuel I em 1178, destinados ao Terceiro Concílio de Latrão, embora Miguel ultimately tenha recusado comparecer pessoalmente
- Tratado sobre a confissão antes da comunhão — uma resposta polêmica a Marco ibne Cumbar, um sacerdote copta do século XII da Igreja de Alexandria
- Tratado contra as falsificações de Marcos, filho de Cambar, o Copta — provavelmente composto em árabe, embora alguma atribuição seja disputada
- Carta de Simeão, o Estilita — Miguel preserva e afirma a oposição de Simeão ao Concílio de Calcedônia citando sua carta ao Imperador Leão, que se opõe às alegações calcedônias de que ele aceitou o Quarto Concílio do Império[63]
Cronografia e biografia
[editar | editar código]- Revisão da Vida de Mar Abai de Niceia — realizada em 1185; baseia-se em fontes siríacas anteriores como João Rufo
- Reconstrução da biografia de Abai de Niceia — preservada em um manuscrito datado de 1196 no Museu Britânico
- Obituário de Mar Barsaumo
- Recomendação para Bar Uabune (1172) — uma carta de recomendação ao enviá-lo para encontrar um delegado bizantino para discutir a potencial união das igrejas após o breve cisma
Veneração e legado
[editar | editar código]| Miguel, o Grande | |
|---|---|
| Veneração por | Igrejas Ortodoxas Orientais, especialmente a Igreja Ortodoxa Siríaca |
Miguel, o Grande, é um dos santos mais altamente venerados na Comunhão Ortodoxa Oriental, especialmente dentro da Igreja Ortodoxa Siríaca, onde é lembrado por sua erudição, santidade e sabedoria. Sua festa é celebrada em 7 de novembro, o aniversário de seu falecimento em 1199.[64] O falecido patriarca Inácio Efrom I Barsoum (1887-1957) da Igreja Ortodoxa Siríaca o descreve como:
...um dos maiores pontífices da Igreja de Deus, o melhor dos Patriarcas de Antioquia, um estudioso e um famoso cronista; de nome eterno, de busca graciosa e de qualidades incomuns, de virtudes amplamente conhecidas e de boas obras. [...] Não é justo que a história geral do mundo lembre seu honrado nome, já que você escreveu aqueles volumes que estão cheios dos eventos das eras, desde seu início até seu feliz reinado, pois você trouxe à vida o que aconteceu, e não fosse por você, estes teriam sido totalmente esquecidos? De fato, é adequado fazê-lo para o mundo em geral e para sua nação em particular. Sua grandeza se manifesta não apenas nisso, mas também no fato de que você foi magnífico em suas virtudes, resistência e autoestima. Você foi grande em suas obras patriarcais. Não é de admirar que a história o descreva como "o Grande".[8]
800º Aniversário (1999)
[editar | editar código]No 800º aniversário do falecimento de Miguel, o Patriarcado Ortodoxo Siríaco de Antioquia declarou 1999 o "Ano de São Miguel, o Grande". Uma solene Divina Liturgia foi celebrada em honra a Mor Miguel Rabo no Mosteiro de São Efrom em Maarrate Saydnaya. Embora um simpósio de estudiosos e orientalistas tivesse sido planejado para Alepo, ele foi, em última análise, realizado no Seminário Teológico Patriarcal no Mosteiro de São Efrom em Saydnaya, de 1 a 8 de outubro de 1999.[8]
Legado acadêmico e influência duradoura
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A Crônica de Miguel é considerada a obra histórica mais volumosa da tradição ortodoxa siríaca, fundamental para a historiografia posterior.[65] Sebastian Brock a descreve como "sem dúvida a maior de todas as crônicas siríacas".[59] Sua era catalisou o que os estudiosos chamam de "Renascença Siríaca", um período de renascimento cultural e teológico dentro da Igreja Ortodoxa Siríaca.[66]
Miguel é ainda lembrado como poeta, canonista e defensor da fé, cujo exemplo continua a inspirar os fiéis ortodoxos siríacos a, como descreve o patriarcado de Antioquia, "manter a fé, trabalhar de acordo com a lei do Senhor, persistir nela dia e noite, e cumprir o Cânone da Igreja... para que ele nos mantenha dentro do rebanho de Cristo Jesus, nosso Senhor."[8]
Após o Genocídio assírio, a Sé Patriarcal Ortodoxa Siríaca foi forçadamente transferida de Mardim, Turquia, em 1924, após o estabelecimento da República Turca. Esta sede patriarcal havia sido estabelecida por Miguel em 1166 e permaneceu em Mardim até aquele momento, marcando a primeira mudança em quase um milênio.[5] Foi transferida para Hómece, Síria e posteriormente para Damasco, onde permanece hoje como a Arquidiocese Patriarcal Ortodoxa Siríaca de Damasco.[67]
Ver também
[editar | editar código]Referências
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It is undoubtedly to the scholar Jacob of Edessa (d. 708), transmitted to the Syrian — Orthodox historian and patriarch Dionysius of Tellmahre (d. 945), himself taken up by another Syrian Orthodox patriarch and historian, Michael the Syrian (d. 1199), that we owe the Syriac version of the history of the ancient kingdoms, centered on the idea that there were powerful "Syrian" kingdoms east and west of the Euphrates. The authorities of the Syriac Orthodox Church wanted to show that they had sovereigns of their own even though in Late Antiquity and the Middle Ages they no longer had their own kings to represent them. This passage is written against the (Byzantine) Greeks and has an apologetic dimension aimed at defending the Syriacs by showing the importance of the kingdoms that emerged from them.. he rereads world history through this prism and situates Alexander between the kingdoms he calls "Syrian" of the Chaldeans and Assyrians ("Syrian" because they all used Aramaic, like the Suryoye, Syrian or Syriac), which existed until Cyrus the Great conquered them… This reading of history, which aims to show "that empires arose from our people more powerful than all the empires of their time," places Alexander as the restorer of a "Syrian" power since he put an end to the kingdom of the Persians which had triumphed over the "Syrian" Mesopotamian empires…
- ↑ Weltecke, Runia & Palmer 2021— "It is clear, besides, that Michael attempts a harmonization of different argumentations, in which he succeeds in identifying Syrian with Aramean and Assyrian history."
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. Since at least the ninth century, West and East Syriac ecclesiastical elites have taken disparate and shifting positions on how to translate the term "Suryoyo" into other languages. Suryoyo, in these ancient texts, referred to both the Syriac language and the Roman province of Syria and was linked by medieval ecclesiastical historians to both the ancient Aramaeans and the ancient Assyrians. Patriarch Michael the Great, for example, wrote in his twelfth-century ecclesiastical history that both the ancient Assyrians and the ancient Aramaeans were forebears of the Syriac tradition because there were Aramaic speakers in both societies.
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Fontes
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Ligações externas
[editar | editar código]- Jullien, Florence (2006). «MICHAEL THE SYRIAN». Encyclopaedia Iranica
- French translation of Armenian version of the Chronicle
- English translation of preface to the Chronicle
- Robert Bedrosian, Michael the Syrian - English translation of Armenian version of the Chronicle of Michael the Syrian.
- Jürgen Tubach: Miguel, o Sírio. Em: Biographisch-Bibliographisches Kirchenlexikon (BBKL).
- NASA scientists and Michael the Syrian
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Sucedido por Atanásio VIII |