Implante coclear
Implante coclear | |
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O implante coclear (IC) é uma prótese implantada cirurgicamente que proporciona a uma pessoa com perda auditiva sensorioneural de grau moderado a profundo alguma capacidade de ouvir. Juntamente com a terapia, eles podem permitir uma melhor compreensão da fala em ambientes silenciosos e ruidosos.[1][2] Por meio da escuta diária e do treinamento auditivo, os implantes cocleares permitem que crianças e adultos aprendam a interpretar esses sinais como fala e som.[3][4][5] É um dispositivo eletrônico implantável que estimula diretamente o nervo auditivo, sendo indicado para indivíduos com perda auditiva de grau severo a completo que apresentam benefício limitado com aparelhos de amplificação sonora individual. [6]
O procedimento cirúrgico é realizado sob anestesia geral. Os riscos cirúrgicos são mínimos e a maioria dos indivíduos recebe alta no mesmo dia. No entanto, alguns indivíduos apresentarão tontura e, em raras ocasiões, zumbido no ouvido ou lesão no nervo facial. O implante coclear substitui a audição acústica por meio da estimulação elétrica direta do nervo auditivo.[2] Ele possui dois componentes principais. O componente externo geralmente é usado atrás da orelha, mas também pode ser fixado à roupa, por exemplo, em crianças pequenas. Esse componente, o processador de som, contém microfones, circuitos eletrônicos que incluem chips processadores de sinal digital (DSP - Digital Signal Processor), bateria e uma antena que transmite o sinal para o implante através da pele. O componente interno, o implante propriamente dito, possui uma antena para receber os sinais, circuitos eletrônicos e um feixe de eletrodos que é inserido na cóclea para estimular o nervo coclear.[7]
Desde os primórdios dos implantes nas décadas de 1970 e 1980, a percepção da fala por meio do implante tem aumentado continuamente. Mais de 200.000 pessoas nos Estados Unidos haviam recebido um implante coclear até 2019. Muitos usuários de implantes modernos obtêm uma capacidade de audição e habilidades de percepção da fala de razoáveis a boas após o implante, especialmente quando combinadas com a leitura labial.[8][9] Um dos desafios que permanecem com esses implantes é que as habilidades de audição e compreensão da fala após o implante apresentam uma ampla variação entre os usuários individuais. Fatores como idade no momento do implante, envolvimento parental e nível de escolaridade, duração e causa da perda auditiva, posicionamento do implante na cóclea, a saúde geral do nervo coclear e também as capacidades individuais de reaprendizado são considerados fatores que contribuem para essa variação.[10][11][12]
Audição e desenvolvimento da linguagem oral
[editar | editar código]O uso do dispositivo auditivo, seja ele o Implante Coclear ou o Aparelho de Amplificação Sonora Individual são fundamentais para garantir melhores oportunidades de acesso às informações sonoras, que são a base do desenvolvimento da linguagem oral e da fala. O desenvolvimento da linguagem oral está diretamente ligado à audição, pois é por meio dela que a criança tem acesso aos sons da fala. Esse processo se inicia ainda durante a gestação, por volta da 28ª semana, quando o bebê já consegue perceber sons.[13]
Após o nascimento, o contato frequente com a fala — principalmente a voz dos pais e cuidadores — e demais estímulos proporcionados pelo ambiente, ajudam o bebê a reconhecer sons, diferenciar palavras e, aos poucos, entender seus significados.[14]
Nos primeiros anos de vida, a linguagem oral se desenvolve em etapas, onde o bebê começa emitindo sons simples (vogais), passa pelo balbucio (como “ba-ba” e “ma-ma”), fala as primeiras palavras e, com o tempo, passa a formar frases. Esse aprendizado acontece porque a criança ouve, observa e tenta imitar os sons ao seu redor. A audição permite que ela perceba diferenças entre os sons da fala, de características como ritmo, entonação e intensidade, que amplie o vocabulário, aprenda a organizar frases, habilidades importantes para a comunicação.[15][16][17]
Outro aspecto importante é que a criança aprende a falar também ouvindo a própria voz (feedback auditivo) proporcionando o ajuste da pronúncia das palavras, a melhoria na clareza da fala e no desenvolvimento da fluência. Para além da audição, que apresenta um papel central no desenvolvimento da linguagem oral, é necessária a interação com outras pessoas, as conversas do dia-a-dia, as brincadeiras e o ambiente em que a criança vive, pois, quanto mais a criança é estimulada a ouvir e participar de interações, maiores são as chances de um bom desenvolvimento da linguagem oral (fala).[18] [19]
Assim, alterações auditivas que não são diagnosticadas ou tratadas precocemente, por profissionais como o fonoaudiólogo, podem prejudicar o processo de desenvolvimento da linguagem oral, acarretando em atraso na fala, dificuldades na aprendizagem e na socialização.[20][21][22]


Em crianças candidatas ou usuárias de implante coclear, o monitoramento do desenvolvimento auditivo e da linguagem oral é fundamental para acompanhar a evolução das habilidades auditivas e comunicativas e subsidiar a atuação interdisciplinar.[23]
Referências
[editar | editar código]- ↑ «NCD - Cochlear Implantation (50.3)». www.cms.gov. Consultado em 22 de novembro de 2021. Arquivado do original em 16 de janeiro de 2023
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